O ESPANTO COMO motor DA CONSCIÊNCIA

A filosofia surge do espanto. Para os gregos, a origem do pensar nasce do thauma, sensação de perplexidade e assombro perante o mundo e coisas. Jostein Gaarden, em O Mundo de Sofia, diz que todas as crianças nascem com esse encantamento, porém, à medida que crescem, vão perdendo o interesse pelo desconhecido, se apegando, por outro lado, a trivialidades e a rotinas previamente estipuladas de geração em geração.

É no anseio de resgatar esse vislumbre com o mistério bem como em iluminar as trevas do desconhecido que atemoriza os homens há séculos que surge O Espanto.

"Parando, apoiei-me na balaustrada, quase morto de cansaço. Acima do fiorde preto-azulado pairavam nuvens, vermelhas como sangue e como línguas de fogo. Meus amigos se afastavam, e, sozinho, tremendo de angústia, tomei consciência do grande infinito da natureza."
Edvard Munch, La Revue Blanche [A Revista Branca], 15 de novembro de 1895.

Luigi Martini
Designer, mestre em comunicação e editor d'O Espanto